
VIVER É TER CORAGEM DE MORRER
As pedras são, as flores são, as nuvem são. é como se elas tivessem "ser", pois são alguma coisa.
Mas não sabem disso. Não se aborrecem, não se alegram, não criticam o chefe ou ao vizinho, nem mesmo têm dor de cotovelo. Somente a criatura humana (um espírito, essêncialmente, porém encarnado- desculpem aos que não concordam) existe conscientemente. Tem consciência do próprio ser. Todos sabemos que somos alguma coisa. Somente nós temos essa condição. Porém, tomar consciência do real e verdadeiro motivo de nossa existência é coisa rara. Em geral temos tempo para consumir, para gostar daquilo que todos gostam, vivendo o que os outros vivem, esquecendo que somos, cada um, um ser que existe individualmente e que deve descobrir-se, autenticar-se.
A vida não é lucro. Viver é como uma expressão de aperfeiçoamento pessoal, ainda que, como nossa participação efetiva, colaboremos para que o coletivo também se aperfeiçõe. Viver é como um dom que nos foi dado e, deverá continuar a ser um dom de nós mesmos. A conformação com um tipo de prazer habitua a criatura humana ao desinteresse, ao imediatismo, e o distrai das exigências de sua abertura em busca da satisfação verdadeira de ordem naturalmente superior à uma busca pura e simples do prazer.
O prazer pode trazer a satisfação de uma necessidade, mas o plano da vida humana não se reduz ao estritamente necessário. Perseguindo-se o prazer efêmero, experimenta-se- não sejamos hipócritas de negar- alegria toda vez que são alcançados, considerando esses momentos como felicidade inclusive, que, no entanto, não correspondem ao sentido profundo de que ela se reveste, e poucos, além de não experimentarem, parecem nem estar preparados.Penso, logo sou, li num livro. É que o pensamento revela a existência do homem a si mesmo. E ele quem começa a livrá-lo de doque lhe amarra em sua vida efêmera, embora pareça confortável.
A interpretação equivocada da vida é que parece nos conduzir à buscas irreais, que perdem, inclusive, o significado quando se alteram os fatores que constituem a cada uma de nossas vidas; o que é um tanto salutar, pois nossa visão, em determinada época da existência, muda completamente em outro período. Vivemos num mundo, e cercados de pessoas (sendo uma delas, muitas vezes, inclusive), em que a visão das pessoas está marcada pela busca de resultados imediatos. Viciados por demais em nossaos critérios, através dos quais realizamos os nossos juízos de valor, fechamo-nos em nosso mundo particular, defendendo-o com unhas e dentes de quem tentar se aproximar. E muitos são os que existem e podem colaborar em nos ensinar a sentir e viver outras experiências.
É preciso coragem. "Viver é ter coragem de morrer", aprendi num encontro em Franca, aos 18 anos de idade, em 1996. Morrer como ser obrigado a desligar-se de tudo aquilo que nos fixamos nesta vida, que nos acomoda, que nos impede ao novo. Quando buscamos não nos fixar à essas coisas, na medida em que as transformamos, renascemos com nossa própria obra. Sempre.
Lelinha, obrigado pelo post anterior! Beijo grande no seu coração!
Por Ivan às 12:12 PM |